Mulheres na política


    Apesar de as mulheres serem maioria no Brasil, infelizmente, essa realidade não é refletida na política do país. A presença feminina nos parlamentos é de apenas 26,4%, e nas últimas eleições, apenas 91 deputadas federais foram eleitas, ocupando apenas 17,7% das vagas totais. Essa disparidade é contraditória e preocupante.

Embora conquistamos o direito ao voto e à elegibilidade há 88 anos, somos iludidos pela falsa igualdade garantida pela constituição de 1932. Sabemos que o buraco é bem mais embaixo, afinal, com esses números, permitimos que homens façam leis que nos protejam e os ataquem, que olhem pra gente e que cuidem da gente. O congresso é apenas reflexo da sociedade: mulheres excluídas, invalidadas, silenciadas e assediadas.

Há pelo menos 25 anos, nossa legislação exige que os partidos políticos tenham uma cota de 30% de candidaturas femininas. No entanto, essa medida não tem sido suficiente para garantir a participação igualitária. Recentemente, a Câmara dos Deputados aprovou uma PEC que anistia os partidos políticos que cometeram crimes eleitorais, incluindo o descumprimento dessa cota de gênero, entre outros delitos. Isso vai de encontro ao que deveria ser garantido, perpetuando a desigualdade.

Recentemente tivemos a aprovação da lei que garante a igualdade salarial no Brasil, e, por mais surpreendente que pareça, recebemos apenas 78% do que os homens no mesmo cargo ganham, se olharmos para mulheres pretas e pardas, esse valor chega a 46% do salário de homens brancos, e ainda tivemos deputadas mulheres votando contra a lei.

Esse ano contamos com um governo que, até segunda página, se preocupa com os direitos das mulheres e não esbraveja falas machistas aos 7 ventos, justificando que mulheres devem receber menos porque engravidam, dentre milhares de outras barbaridades. Vale mencionar que esse governo também registra um recorde de participação feminina nos ministérios, com 11 mulheres ocupando alguns dos 37 cargos disponíveis.

Sabemos que, apesar das leis, o sistema e a sociedade são muito nocivas para mulheres e minorias. A participação desses na tomada de decisões e na formulação de políticas públicas é fundamental para promover mudanças significativas e alcançar uma sociedade mais justa e igualitária para todos os cidadãos.



Fontes:   
Exame

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