Etarismo, que é o mesmo que idadismo e ageísmo, é o preconceito e a discriminação praticados contra uma pessoa ou um grupo de pessoas em função de sua idade. É muito mais frequente com idosos, mas pode afetar pessoas de todas as idades, como vimos no caso de Patrícia. O etarismo está presente em todos os ambientes: na família, no trabalho, em consultórios médicos, odontológicos, hospitais, delegacias e em toda parte.
As manifestações do etarismo podem ser físicas e psicológicas, por meio de agressões verbais. Ainda que muitas vezes haja, de fato, violência e ofensas às pessoas por conta de suas idades, outras tantas vezes essa é uma prática silenciosa.Segundo uma pesquisa da OMS, até 2050 a população de pessoas acima de 60 anos irá dobrar, ultrapassando 2 bilhões de indivíduos. Já a quantidade de pessoas com 80 anos ou mais deve triplicar entre 2020 e 2050, alcançando 426 milhões de indivíduos. Ou seja: além de ser crime previsto na legislação brasileira, o etarismo não faz mesmo sentido algum.
Assim como outros tipos de preconceito e discriminação, o etarismo tem graves consequências sobre a parcela feminina da população. Ainda que ocorra também contra os homens, os papéis atribuídos a homens e mulheres na sociedade fazem que sejamos significativamente mais afetadas. Isso acontece porque, historicamente, somos nós as principais cuidadoras da infância, da velhice, e do tempo compreendido entre elas, nos deixando, em maior ou menor grau, marginalizadas, afastadas do poder econômico, político e das tomadas de decisão.
A carga mental sustentada quase que exclusivamente por mulheres é mais um dos fatores que tornam a virada de chave da utilidade para o fardo ainda mais rápida na velhice, pelo seguinte motivo: quando uma mulher não serve mais para fazer nem mesmo esse “monte de nada invisível”, que sustenta famílias e sociedades desde sempre, qual é o seu valor?
Assim como os demais padrões de beleza, como cor de pele, tipo de cabelo e peso corporal, mulheres também são massacradas por suas idades. Como se envelhecer, por si só, fosse um crime. Somos bombardeadas por propagandas em todos os meios possíveis sobre o que fazer para que nossa pele se mantenha firme, nossos cabelos não caiam nem fiquem ralos, e nosso corpo se pareça o máximo possível e pelo maior tempo possível, com aquele que tínhamos na infância e na adolescência.
Assim como os demais padrões de beleza, como cor de pele, tipo de cabelo e peso corporal, mulheres também são massacradas por suas idades. Como se envelhecer, por si só, fosse um crime. Somos bombardeadas por propagandas em todos os meios possíveis sobre o que fazer para que nossa pele se mantenha firme, nossos cabelos não caiam nem fiquem ralos, e nosso corpo se pareça o máximo possível e pelo maior tempo possível, com aquele que tínhamos na infância e na adolescência.
"As mulheres, após os 40 anos, enfrentam o mito de serem menos produtivas, devido à queda da função reprodutiva, o que pode gerar uma espécie de exclusão social, tanto no mercado de trabalho, quanto em outros ambientes, como o familiar, onde sua credibilidade de conhecimento, competência ou a forma como lida com as situações do dia a dia e com os seus sentimentos podem ser questionados devido ao fato dela estar envelhecendo”, diz Márcia Cunha, fundadora da Plenapausa, primeira femtech brasileira a promover informação, solução e acolhimento para mulheres em menopausa.
É urgente que todos e cada um de nós façamos uma reflexão sobre o espaço das mulheres cuidadoras em nossas vidas. A atenção, o respeito e o afeto que destinamos a elas, e como vamos retribuir, minimamente, tudo o que sempre fizeram por nós. Porque, vejam, é impossível devolver tudo na mesma medida.
Portanto, vamos nos perguntar sobre quantas e quais mulheres nos ajudaram a chegar onde estamos hoje. Quem são as mulheres em nossas vidas que nos estenderam as mãos quando precisamos, ainda que a custo do próprio tempo, da própria saúde? Como, em sua velhice, podemos preservar sua dignidade, garantindo que tenham abrigo, alimento e amor?


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